Concursados realizam grande manifestação na Orla da capital

Na manhã de ontem, o sol na praia de Tambaú em João Pessoa deu lugar ao luto. Os aprovados no último concurso da Polícia Civil colocaram 300 cruzes pretas nas areias, no Busto de Tamandaré, para representar as mortes ocasionadas pela violência na capital. O objetivo é sensibilizar o governo do estado para que 1.400 concursados sejam convocadas para assumirem seus cargos na Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social. “Há mais de 16 meses estamos esperando uma resposta oficial para assumirmos nossos cargos, enquanto isso a sociedade fica a mercê dos bandidos porque falta pessoal nas delegacias para dar conta da demanda”, afirmou Luiz Carlos Júnior, representante da Comissão dos Concursados da Polícia Civil da Paraíba 2008.


Nas areias de Tambaú foram fixadas 300 cruzes lembrando as mortes registradas na Grande JP, segundo o movimento Foto: Rafaela Tabosa/ON/D.A Press

O objetivo do movimento, além de pressionar o governo do estado, é convocar a sociedade para se unir à categoria. “Estamos convocando a sociedade para também lutar pelas nossas contratações porque é ela quem fica a mercê da marginalidade e da impunidade”, reforçou Luiz Carlos. Os integrantes do movimento ressaltaram que as cruzes não representam apenas um pedaço de madeira plantada na areia, mas a vida de uma pessoa vítima de violência.

Metade das delegacias em JP sem plantão

Segundo o presidente da Associação dos Policiais Civis (Aspol), Flávio Moreira, a Paraíba foi o estado do Nordeste que menos investiu em segurança no ano de 2008 e, por isso, o índice de violência tem aumentado. Segundo dados da Aspol, acontecem pelo menos 5 mortes violentas por dia no estado e mais de mil homicídios foram registrados em 2009. “Pedimos uma contratação imediata desse pessoal. Hoje existem 12 delegacias em João Pessoa e dessas apenas 6 funcionam com plantão porque falta recursos humanos. Então, se tem necessidade de efetivo, se foi realizado o concurso porque ainda não convocaram os aprovados. O que falta é vontade política”, denunciou.


Luiz Carlos ressalta que déficit de profissionais contribui para impunidade Foto: Rafaela Tabosa/ON/D.A Press

Jonathan Coimbra foi aprovado para o cargo de agente de investigação e é um dos líderes da comissão. Enquanto não há uma resposta oficial do governo, o grupopromete percorrer outras cidades do estado com mobilização pacífica. Segundo Jonathan, a sociedade tem aprovado o movimento. “Na Lagoa do Parque Solon de Lucena, mães choraram em nossos ombros pela perda dos filhos para o tráfico, por terem sido vítimas da famosa moto preta. Temos relatos de pessoas que procuraram a delegacia para atendimento e não conseguiram porque estava fechada. Então, o povo entende que há uma necessidade urgente por essas contratações”, revelou.

O Secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Gustavo Gominho, foi procurado pela reportagem de O Norte, mas não atendeu ao telefone. Também não houve resposta de sua assessoria de imprensa.

Porém, na reunião promovida pela ASPOL no início do mês de janeiro com os concursados e o Delegado Geral Canrobert Rodrigues, este garantiu que os aprovados estarão na Academia de Polícia ainda neste mês de março.

Jailma Simone

Jornal o Norte com redação

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